A felicidade e o sentido da vida.
30/01/2012 Deixe um Comentário
Faz-me alguma confusão ouvir pessoas dizer que o sentido da vida é a busca da felicidade. É impossível não reparar num certo nível de egocentrismo e solipsismo neste tipo de sentido dado à existência.
A busca da felicidade é um propósito centrado no indivíduo e no indivíduo apenas. Mesmo tentando promover a felicidade alheia acaba por ser solipsista pois está centrado em nós e nas nossas experiências com os outros. Além disso, tem o grande problema de ser completamente efémera e demasiado influenciável pelo meio que nos rodeia. Ou seja, podemos dar o nosso máximo para alcançar a felicidade, consegui-la, ser super felizes, e um belo dia acontece-nos uma desgraça qualquer e lá-se vai o esforço todo por água abaixo. A pior parte, é que quando vamos desta para melhor não fica rigorosamente nada.
Portanto, a felicidade não passa de um bem-estar efémero, demasiado influenciável pelo meio envolvente – não controlável pelo indivíduo – demasiado centrada apenas no indivíduo e completamente apagada com a morte.
Não. Tem que haver algo mais.
A realidade é que não sabemos como viemos aqui parar, nem porque é que viemos aqui parar. Há quem diga saber exactamente como e porque é que o ser humano existe, mas é mentira, não sabem. Ninguém sabe. E apesar de haver um “como” é que viemos aqui parar – mesmo que não o saibamos – é possível que não haja um “porquê”. Somos uma espécie que tem tendência a procurar “comos” e “porquês” nas coisas e lá porque o “como” tenha que existir – porque de facto existimos – não significa necessariamente que o “porquê” também tenha.
Logo, a conclusão é óbvia: para procurarmos o sentido da vida temos que partir do que de facto sabemos – e que podemos verificar que sabemos – evitando especulações e tiros para o ar ou razões subjectivas.
E o que sabemos é que somos animais sociais, vivemos em comunidade e todas as coisas que hoje temos, como o computador onde escrevo isto, são devidas ao conhecimento alcançado pelos que vieram antes de nós. Sabemos também que não vamos durar para sempre, nem enquanto indivíduos, nem enquanto espécie. Cerca de 95% das espécies que já habitaram a Terra estão extintas, portanto é muito provável que o nosso destino seja o mesmo. Sabemos que o Sol, enquanto estrela, tem um tempo de vida, e quando ele se for, a Terra vai também. Sabemos ainda que não há nada que indique que haja algo depois da morte e portanto o mais provável é que quando ela chegar seja, de facto, o fim.
Portanto, enquanto seres sociais e mortais, o sentido da vida tem que estar centrado no bem comum enquanto existimos, em algo que possa ser passado para a comunidade mesmo após a nossa morte, e a única forma de o fazer é procurando algo que possa dar resultados tangíveis, de forma a que possa ser passado aos que virão depois de nós e melhorar a vivência de toda a comunidade humana. Logo, o sentido da vida tem que estar focado na busca do conhecimento e no desenvolvimento da inteligência necessária para alcançar esse conhecimento, de forma a que possa ser transmitido para o resto do mundo, melhorando assim a curta vida de todos nós, mortais.
Diz um provérbio que se eu tiver uma laranja e tu outra e as trocarmos cada um de nós fica com uma laranja, mas se eu tiver uma ideia e tu outra e as trocarmos cada um de nós fica com duas ideias.
Podemos perder o que possuímos, podemos perder as pessoas que amamos, mas o conhecimento que temos, enquanto o partilharmos e o transformarmos em algo palpável, nunca será perdido.

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